"Mais difícil do que terminar um relacionamento

é permanecer nele"

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Editorial


A graça da justiça cega

Justiça. Tão questionada, tão almejada, tão combalida. Sua premissa? A igualdade entre todos perante as leis, que por sua vez tentam manter a ordem social. Paródias e sátiras quanto à sua cegueira vêm e vão, permeiam e fazem rir da piada sem graça e eterna, a cegueira do semióforo que deveria refletir imparcialidade e isenção.
Ah! O bom brasileiro, o honesto, respeitador, hospitaleiro, generoso e cordial brasileiro! Aquele que deixa as informalidades, aquele que une o familiar ao público, peraí! O familiar ao público? Pois é, talvez soe até bonito, mas essa sociabilidade aparente, incutida às mentes não exerce efeito positivo na estruturação da ordem coletiva. Isto, quando visto em instituições públicas, o servidor precariza o serviço, e faz o que bem entende,porque dele o emprego é não é? Não, não é! É serviço público, a exoneração é um processo loooongo! E os deputados aéreos? Que decolaram com o dinheiro público, “ah não é porque minha esposa precisa vir me visitar duas vezes no mês, meus filhos irem três vezes a disney, e blá blá blá!” A justiça que é cega ou será que não quer ver? Ou vê e fica muda, ouve reclamações e se ensurdece, é preciso gritar, expor, pra algo enfim se mostrar atrás dessa inércia. É preciso vir à tona nos meios de comunicação, porque se não fica fácil contrariar as leis, por à frente o conveniente em detrimento do que é da gente!
É preciso duvidar dessas relações de cordialidade na coisa pública, é preciso saber que as leis que mais nos prendem são as que não nos impõe, quanto à justiça? Haverá mais sátiras e mais risadas enquanto mantermos essa cultura individualista disfarçada de generosa.