Parecia tão improvável quanto o Corinthians ganhar uma Libertadores...
Tão duvidoso quanto ele gostar das frases feitas que ela sempre adorou.
Como é que uma pessoa alfabetizada pode amar tanto estes poetas de ocasião? Talvez este não seja o seu caso amiga, mas dá raiva deduzir que aquelas frases não são pra mim.
Pior é que elas acabam soando em minha direção.
Foi tão sem noção sabe, tão agoniante quanto engolir goela abaixo meu ego machista ao vê-la desmontar meus sólidos pré-conceitos um a um, em dois ou três beijos.
E que beijos! E que abraços! Que amassos!
Ela era muito mais do que me mostrava e exibia pra todos nas suas fotogenias só pra provocar,
E se tinha uma coisa que eu sabia que aquela garota sabia era isso...
Sábia era sua arte de provocar. Já tinha desenhado ela no meu pensamento: Andar rebolativo, sorriso movediço, cabelos findáveis minuciosamente na sua cintura arteira...
Ah menina! Desde muito cedo você me faz parar! Ah garota, naquele minuto incerto você era a única que me faria reparar. Como pôde me sedar tantas vezes hein?
Na verdade como pôde vedar meus olhos na primeira dessas vezes?
Acho que foi ali, naquele momento tão despretensioso que a gente acabou se dis-traindo, foi assim naquele prazer sem julgamento que acabamos nos desmentindo. Isso mesmo, nos desmentindo é a expressão correta. Afinal nem eu, nem você havíamos planejado nada, e poderíamos jurar que seriamos ultima opção um pro outro.
A cada novo toque, a cada hora de sono perdida naquela noite e nesses meus dias, eu vou te descobrindo e descobrir o que há por dentro desse turbilhão de endorfina é de uma facilidade inversamente proporcional ao que foi descobrir seu corpo.
Mas foi ali, sentados lado a lado, rindo e falando junto que a gente não se notava mais como nas conversas de antes, de repente bateu aquela súbita vontade...
Será o que tinha demais naquilo que todas já tinham provado?
Será que diacho essa mulher tem que todo mundo quer segurar no seu rebolado?
Pois é, foi tão despretensiosamente quanto, tão vio-lentamente no balanço daquilo que chamávamos de enquanto, que a gente ia se desvelando, ocultando aqueles sentidos que eram desnecessários. Eu não precisava olhar pra você, nem você tão pouco fazia alguma questão de me ouvir. Teu perfume misturava-se ao meu, teu gosto de madrugada ganhava sabor à medida que sua pele tateava a minha, sem pretensão alguma, a gente só queria aquele perigo, aquele proibido já tão ausente há tanto tempo...
Mas teria que chegar o dia né? Nossos ouvidos já estavam prevenidos, nossas desculpas ensaiadas e o disfarce tacitamente combinado. Pena que você acreditasse que o meu texto fosse o ctrl c e ctrl v de todo cafa. E na verdade era, e eu achava que era esse o diferencial.
Mas sabe como é né? A volta pra casa deu um F5 na vida de todo mundo e esses clichêzinhos de papo de MSN vieram a tona com tanta força que me fizeram acreditar naquelas frases de efeito dos tais poetas de ocasião.
Os dias foram passando e depois de palavras alcoolizadas e beijos trôpegos eu só conseguia me sentir mais envolvido, a importância daquela amizade, que vinha com beijo de brinde, aumentava, e se uma mensagem vinha eu relia umas 10.000 vezes, engraçado era notar que eu achava 10.001 significados praquelas letras mal-ecaixadas que logo eu precisaria apagar.
Quando o cafajeste notou, já estava querendo pintar amor onde só existia aventura, ela insistia em dizer: é um erro, é uma conseqüência de um relacionamento só pra cumprir tabela que você arrasta campeonato atrás de campeonato.
Então percebi que eu queria o tira-teima, o jogo de final, como se diz: “a nêga”. Seria em campo adversário, seria uma espécie de treinamento para os meus sentidos mais tímidos que aflorados teriam que reagir a cada ação passiva de alguém bem segura do queria daquilo: nada, simplesmente isso. Ah morena!
Mas se é pra se divertir? Não vamo ficar só no carrossel né, tem o bate-bate ainda. E lá fomos nós outra vez, sem pudores, sem amores, sem rancores. Só com nossas cores, negras e insidiosas, capazes de nos omitir diante de um prazer que transbordava novamente e deixaria mais marcas, inclusive nas paredes.
Era um misto de sentimento e tezão, era um jogo de prazer e querer bem, fechar o olho aumentava a vontade, encará-la antecipava a saudade. O dia chegou de novo então, trazendo realidade a minha fantasia, era hora de parar, viajei decidido a isso. Já tava de bom tamanho, não passaria dali e qualquer cafajeste com pouco tempo de mercado sabia que era investir tempo demais, mas a carne é fraca né? E o coração?
O negão é vagabundo... só bastava um sinal, mas chega de iniciativas, aquilo já tava indo longe demais, quando o celular vibrou, torci pra que aquela mensagem não fosse sua, não adiantou lá se foi outra vez, e como das outras vezes... foi sabendo, que poderia não mais voltar...
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